Circuito Hidráulico de São Matias, Presilhas

Executados no sítio das Presilhas (Beja), no âmbito do Circuito Hidráulico de São Matias, estes trabalhos arqueológicos decorreram entre os dias 14 e 22 de Abril 2015. Iniciaram-se no seguimento da descoberta, em acompanhamento arqueológico, de vestígios de um forno de cerâmica, sendo implantada uma sondagem de modo a abranger esta estrutura.

O forno referido foi construído com recurso a tijolo burro, tendo sido parcialmente edificado abaixo da cota do terreno na parte correspondente à câmara de combustão, sendo o acesso a este compartimento efetuado através de uma rampa escavada em frente à entrada da referida câmara. Dada a não existência da parte superior do forno, construída acima do nível do terreno, desconhece-se qual seria a sua configuração original.

No que respeita à funcionalidade do forno, ou seja o tipo de peças cerâmicas que seriam produzidas com recurso a esta estrutura, observámos que teve uma utilização variada. Teria sido usado tanto para a cozedura da dita cerâmica comum como para a cozedura de cerâmica de construção, neste caso certamente de telha de meia cana e eventualmente de tijolo burro, não existindo evidências de produção neste último caso.

Em termos funcionais permaneceram também interrogações sobre o local onde seriam moldadas as peças antes de serem cozidas. Não se identificou qualquer estrutura de apoio associada ao forno, nas imediações ou no local, onde as peças pudessem ser produzidas para posteriormente serem cozidas, admitindo-se que estas poderiam eventualmente ser produzidas onde atualmente se encontra o Monte dos Arramadões e transportadas até este forno.

A ser o caso citado acima, colocou-se também a questão sobre a prática comercial ou não desta estrutura, ou seja, se o forno existira apenas para uso local, para colmatar necessidades em termos de cerâmica desta propriedade, ou produziria a uma maior escala com o objetivo da comercialização das peças ali produzidas.

Apesar de algumas interrogações a nível funcional, pareceu-nos evidente que o seu abandono se deve ao aparecimento do nível freático que impossibilitou a continuação da utilização da câmara de combustão, que ainda atualmente se encontra preenchida com água em mais de 0,2 m de altura.

Tendo em conta as evidências inequívocas do seu uso, podemos considerar que, aquando a construção do forno e durante algum período da sua utilização, o nível freático não se encontraria nesta zona. Este teria com o tempo, através de processos naturais ou não, sido desviado até este local, processo a que não seria alheia a existência de um pequeno curso de água a poucas dezenas de metros.

Em termos cronológicos, poderia enquadrar-se esta estrutura em período moderno ou contemporâneo, se tivermos em conta os únicos fragmentos de cerâmica vidrada e de faiança recolhido no seus enchimentos. Não foi possível determinar com maior rigor esta datação dada a escassez de materiais passíveis de datação identificados nos diferentes depósitos escavados.