Alcariais dos Guerreiros de Cima

O objectivo da escavação integral em toda a área afetada deste povoado rural islâmico pelo traçado da A2 no sublanço Castro Verde/Almodôvar foi concretizado com enorme sucesso. Os mais de 972 m² expuseram uma estratigrafia marcadamente antrópica com intrusões de atividades económicas recentes, de que são exemplo a construção de currais recentes. Ainda assim, as leituras espaciais e as dinâmicas do sítio rural islâmico nunca foram obliteradas

Esta situação é anacrónica com a nítida constatação, quer na região de Mértola, quer na presente região de Almodôvar, ou na continuidade da serrania, no Alto Algarve Oriental, de uma densidade tal no povoamento muçulmano (principalmente a partir do séc. X / XI), que nos alerta para grandes diferenças com a paisagem ermadas de hoje, irreconhecível com essa do período islâmico. Esse anacronismo, surge dos diferentes ritmos a que têm decorrido os campos de investigação do mundo islâmico, ainda que interligados num só mundo. Se os processos de Encastelamento, têm vindo a ser melhor conhecidos desde os trabalhos de H. Catarino no Alto Algarve Oriental, junto com contribuições como as das Mesas do Castelinho (Almodôvar), e se os mundos urbanos de centros como Silves ou Mértola têm conseguido manter uma linha(s) de investigação desde os anos 70/80, o fosso desta com o conhecimento do mundo rural acentua-se. E o desenvolvimento das cidades e as dinâmicas dos husum (Castelos) prende-se intimamente com a vida nos campos e serras em seu redor: na sua economia e na sua geografia política e social.

Junto com um novo conjunto de trabalhos, recentemente realizados, em especial no Algarve no povoado rural da Quinta do Lago, ou igualmente no decurso dos trabalhos da ERA Arqueologia na A2 no sítio da Portela 3 (Silves), a importância do povoado dos Alcariais dos Guerreiros de Cima parece-nos óbvia.