Muralha de Praia da Vitória, Terceira, Açores

A ERA-Arqueologia realizou trabalhos arqueológicos na área adjacente à Muralha da Frente Marginal da Praia da Vitória, localizada na Ilha Terceira, Arquipélago dos Açores, assim como a Caracterização do Estado de Conservação e Proposta de Recuperação deste monumento. Este projecto foi requerido pela Câmara Municipal da Praia da Vitória, tendo as acções de acompanhamento arqueológico e diagnóstico de conservação e restauro sido efectuadas de 4 a 10 de Novembro de 2008.

A intervenção enquadrou-se numa perspectiva de minimização de impactes patrimoniais, reconhecimento e detecção de eventuais vestígios durante as obras de reabilitação da Frente Marginal da Praia da Vitória. O acompanhamento arqueológico consistiu na observação directa dos trabalhos de abertura de uma vala, junto à muralha, para colocação de infraestruturas de electricidade para iluminação da estrutura.

Para além do acompanhamento arqueológico e levantamento arquitectónico da muralha, efectuou-se também uma sondagem mecânica de ligação entre o pano de muralha e o passeio adjacente, trabalhos que não afectaram directamente a estrutura defensiva da Vila. A profundidade de cerca de 60 cm não permitiu a observação da totalidade do alicerce pétreo em grande parte do traçado do pano de muralha. Não foram identificados materiais arqueológicos associados à estrutura que permitissem uma datação relativa da muralha.

O cruzamento de informações decorrentes das acções de acompanhamento, sondagem arqueológica e análise documental/bibliográfica, assim como a observação feita às fotografias antigas da cidade da Praia da Vitória, permitiu registar a presença de diferentes fases de construção e destruição do aparelho da muralha e dos fortes com esta relacionados, possibilitando o estabelecimento de novas questões a propósito da história local, do arquipélago e dos contextos nacionais associados.

Propôs-se então uma estratégia de conservação/recuperação deste notável elemento patrimonial. De um modo geral, os métodos e as técnicas a serem empregues foram enquadrados numa estratégia de estabilização da estrutura a partir do restauro das partes em falta ou muito degradadas, tendo-se em linha de conta as recomendações internacionais para a salvaguarda de património arquitectónico.