Rua Marquês Ponte de Lima e adjacentes, Mouraria, Lisboa

Estes trabalhos enquadraram-se na minimização de impactes sobre o património arqueológico resultantes das obras de Requalificação do Espaço Público da Mouraria, em Lisboa, nomeadamente na Rua Marquês Ponte de Lima e adjacentes (Largo da Rosa, Largo e Rua da Guia, Rua João Outeiro, Rua de São Cristóvão, Rua das Farinhas).

Considerando o elevado potencial arqueológico das áreas intervencionadas, foi preconizado o acompanhamento arqueológico de todos os trabalhos de movimentações de terras. Durante a remoção de terras constatou-se que o subsolo das diferentes áreas afectadas se encontrava revolvido por diversas intervenções relacionadas com a instalação de infraestruturas pré-existentes.

Foram identificadas algumas estruturas de interesse patrimonial e/ou arqueológico, um enterramento in situ e uma necrópole. Verificou-se que a maioria das estruturas identificadas se encontravam destruídas ou parcialmente destruídas, ou foram reaproveitadas, situação resultante das sucessivas intervenções no subsolo que o espaço em questão foi sofrendo pelas várias instalações de infraestruturas.

Destacámos, das várias realidades identificadas, os enterramentos in situ, identificados junto à parede da Igreja de S. Cristóvão, com provável cronologia Moderna, e ainda o enterramento na vala aberta no Largo da Rosa. Relativamente aos depósitos associados aos vestígios estruturais identificados, não foram encontrados depósitos de utilização. Tratavam-se de níveis de entulho e enchimento onde surgem materiais arqueológicos.

Os materiais arqueológicos recolhidos em contextos de revolvimento enquadraram-se na descrição da arquitectura e ornamentação das casas ainda existentes, não só na área de intervenção, como em toda a sua envolvente, que sofrera várias alterações estruturais e paisagísticas após o terramoto. Este teria originado a deposição de muitos dos materiais que foram sendo recolhidos com o passar do tempo e as sucessivas obras que se foram realizando na zona.