Bloco de Rega Moura – Gravítico, Vale de Figueiras 4

Visando a minimização de impactes decorrentes da execução do Bloco de Rega Moura – Gravítico, a intervenção arqueológica no sítio de Vale de Figueiras 4 concretizou-se entre os dias 12 de Março e 22 de Abril de 2015. Procedeu-se à realização de 9 sondagens, no total de 84,25 m², que incidiram sobre um conjunto de 9 estruturas negativas identificadas no decorrer do acompanhamento de obra.

A ocupação do sítio Vale de Figueiras 4, com base nos resultados obtidos nestes trabalhos, pôde ser dividida, de forma genérica, em 3 grandes períodos. A ocupação mais antiga, verificada na sondagem 3, enquadra-se no período da pré-história recente, com a presença de fragmentos de cerâmica manual. As estruturas das sondagens 1 e 2, dada a sua proximidade e semelhanças morfológicas, poderiam porventura associar-se a este período, ainda que a ausência de materiais arqueológicos não permitisse a sua datação.

O momento seguinte está presente nas sondagens 7 e 8, com o registo de duas sepulturas nas quais a orientação e deposição dos enterramentos e a ausência de espólio votivo indicaram gestos funerários tipicamente cristãos, possivelmente tardo-romanos (ou tardo-antigos). A estas poder-se-ia juntar a estrutura registada na sondagem 6, que, apesar da ausência de material osteológico, se assemelha a uma sepultura, tendo-se verificado a presença de espólio votivo, uma pequena jarra em cerâmica.

Por último, a fase mais recente de ocupação encontra-se representada na sondagem 4, na qual foi possível observar um enterramento de um bovídeo/cervídeo, coberto por grandes pedras e cujos materiais arqueológicos remetem para o período medieval/moderno.

Refira-se ainda que, dada a excelente localização deste sítio, com um grande domínio visual da paisagem, onde se observa o Rio Guadiana, e do respectivo entorno, não seria de estranhar uma ocupação humana do espaço ao longo de várias épocas.

Após a escavação e registo das realidades identificadas em contexto de obra, os trabalhos foram dados por concluídos, não se justificando a aplicação de medidas de minimização adicionais, além do acompanhamento arqueológico de ações que envolvessem a remoção de terras durante a execução do projecto.