Convento das Bernardas

Os trabalhos arqueológicos realizados no antigo convento das Bernardas,em Tavira, foram adjudicados à ERA Arqueologia e enquadraram-se numa prespectiva de minimização de impactes sobre o património arqueológico, decorrente das obras de reabilitação do edificio.

Genericamente, procuram caracterizar adequadamente os vestígios arqueológicos que integram o espaço a afectar, quer em termos científicos quer patrimoniais; contribuir para a minimização atempada dos riscos decorrentes de tais afectações e libertar de condicionantes patrimoniais as áreas de trabalho para posterior continuação da empreitada.

A interpretação do espaço, por vezes condicionada a leituras parciais da realidade, possibilitou a identificação da área edificada do antigo convento, a poente, tendo sido possível associar alguns ambientes a determinados contextos funcionais, nomeadamente, uma zona de entrada; a eventual cozinha e os claustros. A nascente ficariam localizadas as hortas e pomares, a nora e as áreas de lixeira.

O convento é fundado nos inícios do século XVI, no reinado de D. Manuel, no contexto europeu da pré-reforma que pretendia através de uma série de medidas fazer face à crise de clausura que à muito se fazia sentir nos conventos europeus. Neste sentido, são adoptadas no Concílio de Latrão várias normas, confirmadas e reforçadas posteriormente no Concílio de emendanda ecclesia, que em Portugal têm reflexo nas visitações e reformas impostas por D. Manuel a todos os conventos do reino, nomeadamente, o Convento das Bernardas.

No decurso dos séculos XVII-XVIII são registadas importantes obras de remodelação no convento e em particular no corpo arquitectónico central, sem que se observe qualquer alteração na sua traça, mantendo-se, aliás, a organização arquitectónica já visível nos inícios do século XVII, com os corpos arquitectónicos organizados em torno dos dois claustros.

O convento das Bernardas vê alterada a sua fisionomia apenas nos finais do século XIX com a instalação no local da Fábrica de Moagem e Massas a Vapor, como consequência da extinção das ordens religiosas e consequente venda dos bens monásticos em hasta pública. É neste contexto que é passível observar a destruição do corpo arquitectónico central e claustros do antigo convento, transformando o espaço no amplo pátio actualmente existente. É também nesta altura que se observa a destruição parcial do corpo arquitectónico Este, deixando em aberto o espaço de acesso às antigas hortas e pomares do convento hoje visível.