Largo de São Francisco, Alcácer do Sal

O acompanhamento arqueológico das obras de implantação de infraestruturas de electricidade no Largo de São Francisco, em Alcácer do Sal, desenvolveu-se entre os dias 8 e 21 de Junho de 2016.5

Localizada no litoral alentejano, Alcácer do Sal define-se como uma cidade de clima temperado. Este factor juntamente com o facto de ser banhada pelo Rio Sado, contribuíram para que esta zona se tenha tornado, ao longo da História, um local de relativa importância a nível de ocupação humana, assistindo-se a um certo decréscimo num passado mais recente.

Desta forma, o rio permitiu, desde períodos bem recuados, que Alcácer se tenha tornado um local de acesso e comércio com povos longínquos, de que são exemplos fragmentos de cerâmica grega, e mesmo escaravelhos egípcios encontrados durante as escavações efectuadas na Cripta Arqueológica. É neste contexto de forte ocupação humana que se insere a área do Largo de S. Francisco, onde foram desenvolvidos estes trabalhos.

Havendo referências que confirmam a existência de uma necrópole correspondente a práticas funerárias durante a II Idade do Ferro, e ainda a presença de um edifício religioso, neste caso o Convento de S. Francisco, datado do séc. XVI, pressupunha-se a possibilidade da existência de contextos arqueológicos preservados que permitissem completar o puzzle da presença humana nesta zona.

Tendo-se desenvolvido entre o Largo de S. Francisco e o Largo da Amoreira (situado nas imediações do Castelo), os trabalhos abrangidos pelo acompanhamento arqueológico cingiram-se às intervenções no solo e no subsolo, designadamente a abertura de 6 valas, 4 travessias e uma área para a instalação de um posto de transformação.

Os resultados revelaram que as zonas intervencionadas tinham sido objecto de trabalhos para a colocação de infraestruturas várias num passado recente, não tendo surgido qualquer vestígio e/ou contexto de carácter arqueológico relevante. Neste sentido, não se preconizaram medidas de minimização adicionais.