Mercador - Bloco 5

O povoado do Mercador foi identificado em 2000 por equipas da EDIA e Bloco 1, localizando-se a uma cota inundável pelo regolfo de Alqueva.

Ainda no ano de 2000 realizaram-se três sondagens diagnóstico com o objectivo de comprovar a existência de vestígios arqueológicos, avaliar o seu estado de conservação e realizar uma primeira caracterização do sítio. No ano seguinte, levou-se a cabo uma intervenção arqueológica em área que viria a fazer parte da revolução do pensamento arqueológico sobre este período cronológico.

A campanha de 2001 realizada no povoado do Mercador incidiu sobre o alargamento das áreas das sondagens de diagnóstico. A totalidade da área já intervencionada neste povoado é de 334 m2.

Os trabalhos realizados revelaram a existência de um importante sítio da Pré-História Recente que, apesar de afectado por ocupações do local em períodos históricos tardios e pela agricultura mecanizada actual, apresenta ainda um significativo número de contextos preservados. Embora ainda mal compreendido e caracterizado, este sítio apresenta-se, desde já, como extremamente importante para o estudo das sociedades de pastores e agricultores que, durante a segunda metade do 4º e 3º milénios AC, ocuparam o curso médio do Guadiana.

A sua cronologia parece corresponder exclusivamente a um momento pleno do calcolítico regional, atribuição que se baseia essencialmente na componente artefactual registada: um aparelho cerâmico claramente dominado pelo prato (bordo simples e espessado); raridade ou ausência de taças carenadas e recipientes mamilados; presença da metalurgia do cobre.

De entre os contextos preservados sobressai um número significativo de estruturas negativas, que correspondem a fossas de planta sub-circular. Embora a escavação destas estruturas tenha sido muito restrita, permitiu concluir que as mesmas se encontram preenchidas por vários depósitos que fornecem abundantes materiais arqueológicos, nomeadamente cerâmicas e restos faunísticos As fossas intervencionadas parecem corresponder a estruturas tipo silo, hipótese interpretativa que poderá ser extensível, senão à totalidade, pelo menos a parte das restantes. O facto de terem sido registadas 8 fossas/silo em apenas 3 sondagens, associado ao facto de estas se encontrarem bastante afastadas entre si (cerca de 30 metros umas das outras), parece indiciar uma grande densidade destas estruturas, espalhadas pela suave colina onde se localiza o sítio, cujos limites continuam por estabelecer. Deste modo, poderemos estar em presença de um sítio de grandes dimensões e com uma densa ocupação, expressa quer por um número significativo de estruturas, quer pela quantidade de material arqueológico registado nos contextos preservados já escavados.

Para além de área eventualmente dedicada à armazenagem, a presença de cerâmica de revestimento e de um nível de ocupação preservado com estruturas de combustão e abundantes materiais sugerem a existência de contextos essencialmente domésticos. Esta situação parece ser reforçada pela presença conjugada de uma série actividades documentadas, como a tecelagem e a metalurgia.

Para o entendimento deste sítio, contudo, será essencial ter em conta o seu relacionamento com contextos coevos que lhe estão muito próximos, muito concretamente com povoado fortificado do Porto das Carretas, do qual dista apenas 1200 metros.

O sítio foi integralmente submerso pelo regolfo da barragem.