Forte de São João de Deus, Bragança

No âmbito do acompanhamento arqueológico da empreitada de “Construção de um Novo Espaço para a Feira em Bragança” haviam sido detetadas estruturas em pedra (muros) ligadas por terra ou argamassas de cal e pavimento em empedrado e argamassa. Levaram-se então a cabo trabalhos de conservação e restauro sobre estes vestígios arqueológicos existentes no Forte de São João de Deus, em Bragança.

Os vestígios detetados consubstanciam-se em restos de estruturas pertencentes a uma das cavalariças e edifício adjacente do lado Norte do Forte. A área de intervenção correspondeu a cerca de 265 m2, estando dividida em duas zonas que distam 15 m uma da outra. Os levantamentos e análises de campo que permitiram a elaboração do relatório prévio foram realizados em Outubro de 2013, tendo as ações de conservação e restauro decorrido durante o verão de 2014.

A elaboração destes trabalhos assentou, numa primeira fase, na recolha e consulta de bibliografia específica acerca do contexto histórico e seus impactes locais. Numa segunda fase, procurou-se apurar os conhecimentos acerca das técnicas de construção das estruturas defensivas que compõem este tipo de estruturas.

Os labores prosseguiram com uma observação e registo dos vestígios detetados de maneira a identificar os imóveis, as suas patologias e respectivas intensidades, de forma a serem equacionadas as melhores soluções de conservação e restauro, tendo por base as várias cartas internacionais para a preservação de património arquitectónico.

Pretendeu-se não só salvaguardar o património de eventuais ações prejudiciais que pudessem decorrer do processo de reabilitação urbana existente no local, mas também contribuir para o enriquecimento dos discursos expositivos a produzir na zona. A esse propósito salientou-se a importância da relação entre os espaços a musealizar e os restantes edifícios que ainda subsistem do que foi o antigo Forte de S. João de Deus.

Tendo em conta o facto de os referidos bens patrimoniais se encontrarem numa zona em que existem situações climáticas bastante extremas, bem como o historial existente, considerámos que se deveriam realizar no mínimo duas ações de manutenção anuais. A regularidade destes trabalhos dependia fundamentalmente do seguinte: o carácter intrínseco das estruturas onde existe uma grande predominância de argilas mais ou menos sensíveis às variações de humidade do local; as condições do espaço em que se integram atualmente; o desgaste provocado por ação humana.

Sabendo-se que em Agosto de 2013 a ruína do edificado ficou estabilizada, a evolução do seu estado de preservação poderia ser avaliada a partir de então, medindo e contabilizando alterações na situação de referência criada.