Atividades de Educação Patrimonial, Colégio São João de Brito, Lisboa

No início do ano lectivo 2014/2015, dando continuidade a um trabalho consistente que a ERA vinha a realizar em conjunto com o Colégio São João de Brito no campo da educação para o património como complemento ao programa curricular de cada ano, foi apresentada uma proposta para a realização de um conjunto de actividades a desenvolver ao longo do primeiro trimestre que culminariam com a Semana da Ciência e da Cultura, já no início do 2º trimestre.

A parceria estabelecida teve na base a consenso entre as duas instituições sobre a importância que uma relação próxima com o património e o conhecimento histórico assume na criação de uma cidadania consciente e activa. Pretendemos não apenas ampliar o conhecimento sobre a arqueologia e o seu papel na construção do conhecimento histórico e na preservação do património comum, como também sensibilizar o público escolar para o património local e regional no sentido da valorização da sua identidade histórica e cultural.

O programa foi constituído conjuntamente pelo Colégio São João de Brito e pela ERA-Arqueologia, tendo resultado na definição de um conjunto de passeios e actividades para as turmas do 6.º ao 9.º ano, que seguidamente se descrevem.

A visita ao Museu Nacional de Arqueologia, realizada em 11 de Dezembro de 2014, não foi feita de maneira tradicional. Os alunos puderam conhecer não apenas a Reserva Geral do Museu, mas também a Reserva Específica do período Romano e o Laboratório de Conservação e Restauro. A visita foi guiada por técnicos do Museu e acompanhada por monitores da ERA-Arqueologia.

No âmbito da temática da Revolução Industrial optámos pela realização, com o 9.º Ano de Escolaridade, em 12 de Dezembro de 2014, de uma visita de Estudo às Minas de São Domingos, nas imediações de Mértola. A visita ao complexo mineiro foi orientada pela Fundação Serrão Martins e por técnicos da ERA-Arqueologia. Incluiu o acesso à exposição patente no edifício do Cine Teatro, à zona industrial da Mina de São Domingos e à recriação de uma Casa do Mineiro patente no Centro de Documentação de Mértola.

A Semana da Ciência e da Cultura acontece anualmente no colégio São João de Brito. A proposta da ERA-Arqueologia para a edição de 2015, que decorreu entre os dias 12 e 16 de Janeiro, baseou-se no trabalho de investigação em torno da descoberta de duas embarcações de período moderno e de um fundeadouro romano na Praça D. Luís I em Lisboa.

A escavação arqueológica que conduziu à descoberta acima referida foi realizada pela ERA-Arqueologia com a participação de técnicos do CHAM (Centro de História Além-Mar da Universidade Nova de Lisboa). A descoberta, os trabalhos desenvolvidos no decorrer da investigação subsequente e o processo de divulgação motivaram as actividades descritas abaixo. O primeiro encontro começou com uma breve conversa sobre Arqueologia, apenas para relembrar ideias e conhecimentos que uma boa parte dos alunos já adquirira em experiências anteriores.

Seguiu-se uma apresentação dos resultados daquela que foi, recentemente, uma das mais mediáticas e emblemáticas intervenções da ERA-Arqueologia e uma das mais relevantes descobertas para a história da cidade de Lisboa.

Levado a cabo em 12 de Janeiro de 2015, o concurso “Quem quer ser arqueólogo?” contou com a adesão de cerca de 80 alunos de diferentes anos lectivos. As quatro equipas participantes foram constituídas com alunos de todos os anos de modo a tornar mais equilibrada a capacidade de resposta de cada um deles. O objetivo do jogo foi percorrer uma estratigrafia, do presente ao passado, como se de uma escavação arqueológica se tratasse, respondendo, para cada um dos períodos temporais, a uma pergunta de cada uma das seguintes categorias: História, Tecnologia, Arte, Geografia, Arquitetura.

O atelier “Arqueolab: como analisar o material arqueológico”, desenvolvido em 13 de Janeiro de 2015, com a duração de duas horas, debruçou-se sobre o tratamento do material arqueológico a partir do momento em que é encontrado no decurso de uma escavação, desde a sua acomodação e etiquetagem, até à fotografia, passando pela lavagem, marcação, catalogação e interpretação.

Realizado em 14 de Janeiro de 2015, o atelier “Arqueolab: Como se trabalha debaixo de água (CHAM)”, com duração de duas horas, abordou o trabalho desenvolvido pela arqueologia subaquática através da adaptação de métodos semelhantes aos da arqueologia terrestre a um ambiente não humano de modo a obter os mesmos resultados.

A apresentação em estreia absoluta do documentário "Fundeadouro Romano em Olisipo" decorreu em 15 de Janeiro de 2015. A intervenção na Praça D. Luís I deu-nos a conhecer mais um significativo aspecto da presença romana em Lisboa, a Olisipo de então. Esta foi a motivação para o realizador Raul Losada, um dos responsáveis pelo site Portugal Romano ( www.portugalromano.com), se lançar na produção de um documentário único sobre a Lisboa do período romano incluindo reveladoras recriações 3D.

A participação da ERA-Arqueologia na Semana da Ciência e da Cultura encerrou-se com a exibição em absoluta ante-estreia do documentário citado. A apresentação ficou a cargo do realizador Raul Lousada e do Prof. Doutor Rodrigo Banha da Silva, ex-aluno do colégio, arqueólogo relevante no contexto da olissipografia e consultor para de conteúdo para a realização do documentário. O auditório do Colégio São João de Brito acolheu para esta exibição cerca de 130 alunos e professores.