Rua Paiva Andrade/Largo do Picadeiro, Lisboa

Estas ações arqueológicas decorreram no âmbito do empreendimento de renovação da Rede M.P. de Gás Combustível Canalizado na Rua Paiva Andrade/Largo do Picadeiro, em Lisboa, e foram desenvolvidas entre os dias 8 e 10 de Julho de 2014.

No decurso dos trabalhos de acompanhamento foi reaberta uma vala para renovação da rede de gás e, apesar dos elementos identificados corresponderem sobretudo a infraestruturas de gás e eletricidade, foram detetadas três realidades de carácter arqueológico.

O primeiro elemento posto a descoberto correspondeu a um pavimento constituído por grandes lajes retangulares de calcário cinzento de grande qualidade justapostas. Deste apenas se observavam fragmentos de dois elementos pétreos (numa mancha de cerca de 1,05 m2) de orientação E/O, cuja cronologia não foi possível determinar mas que pertenceria por certo ao antigo pavimento da “varanda/balcão” que do Largo do Picadeiro, no topo, permitia observar, na base, o Largo de S. Carlos.

Dado que este conjunto se encontrava já muito destruído a Este, e uma vez que não seria diretamente afetado com o aprofundamento/alargamento da vala (as tubagens passariam na área já afetada e sobre as lajes), procedeu-se, como medida de minimização, ao seu registo gráfico, fotográfico e descritivo em Ficha de Acompanhamento.

O segundo conjunto identificado respeitou a um pequeno murete em alvenaria de blocos de calcário e argamassa alaranjada grosseira mas compacta, que se prolongava para Este, a uma cota mais baixa, fazendo uma espécie de plataforma, ambos edificados diretamente nas “Areolas da Estefânia”. No extremo Este deste segmento de vala, observou-se em corte um maciço edificado do qual apenas se pôde reconhecer uma alvenaria de blocos de calcário e arenito ligados por uma argamassa amarelada. Não foi possível estabelecer a sua funcionalidade e cronologia.

Uma vez que as realidades referidas seriam afetadas com o prosseguimento dos trabalhos, procedeu-se, como medida de minimização, ao registo gráfico em plano, fotográfico e descritivo em Ficha de Acompanhamento, após o que, com a devida autorização do DGPC, se deu continuidade às atividades do empreendimento com o desmonte parcial das estruturas.