Rua Visconde de Trevões e Largo do Adro, Trevões

Os trabalhos de escavação arqueológica realizados no âmbito da “Empreitada para a requalificação da Rua Visconde de Trevões e do Largo do Adro, em Trevões” foram adjudicados à ERA-Arqueologia pela Lopes e Irmão, Engenharia e Construção e decorreram entre os dias 31 de Março e 10 de Abril de 2014.

Na sequência dos trabalhos de acompanhamento arqueológico referentes a esta empreitada, detetaram-se vestígios arqueológicos, nomeadamente material osteológico antrópico, nalguns casos em conexão antrópica, o que determinou a realização, numa primeira fase, de sondagens de diagnóstico nessas áreas, de modo a averiguar se esses vestígios correspondiam a sepulturas.

Como tal se veio a confirmar, foram preconizadas medidas de minimização adicionais (para além do acompanhamento arqueológico de todas as movimentações de terras, necessárias à implantação do Projeto) materializadas na realização de cinco sondagens arqueológicas, nas zonas a afetar e de modo a se proceder ao levantamento completo dos elementos osteológicos antrópicos em conexão anatómica.

Tal justificou-se, igualmente, pelo facto do Largo do Adro se inserir na ZEP (Zona Especial de Proteção) da Igreja Matriz e do Palácio Episcopal, o que implica a realização de sondagens arqueológicas em áreas de potencial arqueológico sujeitas a afetação.

As cinco sondagens arqueológicas realizadas permitiram registar um conjunto de elementos antrópicos, relativos a nove grandes momentos/fases de utilização, abandono e reformulação deste espaço, e que apontavam para um contexto de necrópole.

                                

Foram identificados nove enterramentos, que se distribuem pelo Largo do Adro (maioritariamente de adultos e apenas um infantil), e dois ossários, instalados em fossas ovaladas, não antropomórficas, escavadas no afloramento de xisto - grauváquico, possivelmente com tampas em lajes de xisto, onde os corpos foram dispostos em decúbito dorsal e os braços dobrados sobre o peito (quando existem), e as respetivas cabeças (quando existem também), na direcção da atual Igreja, com as faces orientadas a SE.

A estas nove sepulturas podem-se acrescentar mais três enterramentos com a mesma tipologia, identificados em fase de Acompanhamento Arqueológico posterior a esta intervenção, não intervencionadas.

No seu conjunto, apesar da reduzida amostra, o Cemitério parece apresentar uma uniformidade nos rituais de inumação, escolhendo a mesma tipologia de sepultura em fossa ovalada, com orientação maioritariamente SE/NO, com as cabeças, segundo o cânone, viradas para nascente, para o qual se aponta uma cronologia da Alta Idade Média.

No que toca aos resultados do exame antropológico, dos sete enterramentos pode-se dizer com segurança que seis indivíduos são adultos e um é não adulto. Quanto à diagnose sexual esta só foi possível reconhecer nos adultos: representada por dois indivíduos masculinos e dois indivíduos femininos, sendo impossível de determinar nos restantes dois indivíduos. O enterramento não adulto é de uma criança de cerca de quatro anos, sendo os restantes de adultos com mais de trinta anos, mas sem patologias de artrose.

Em relação aos dados relativos ao material do Ossário1, o seu estado de grande fragmentação não permitiu obter informação quanto à diagnose sexual ou relativa à idade dos indivíduos, no entanto, foi possível registar a presença de pelo menos sete indivíduos, número mínimo.

Infelizmente estes dados não permitiram traçar o padrão desta população, pois o número de exumações é reduzido de modo a poder efetuar-se um tratamento estatístico.