Convento de Santo Agostinho, Leiria

Os trabalhos arqueológicos realizados, entre Dezembro de 2010 e Maio de 2011, no âmbito do projeto de reconversão do Convento de Santo Agostinho, em Leiria, enquadraram-se numa perspetiva de minimização de impactes sobre o património arqueológico.

As intervenções arqueológicas foram programadas e decorreram em diferentes vertentes com a realização de sondagens arqueológicas manuais, a análise paramental do conjunto edificado e o acompanhamento arqueológico dos trabalhos com afetação do subsolo ou de partes edificadas.

Assim, foram realizadas 44 sondagens manuais, localizadas nas diferentes áreas do edifício, permitindo uma caracterização geral da sua estratigrafia e abrangendo grande parte das áreas onde o projeto de obra previa trabalhos de afetação do subsolo.

A análise paramental do conjunto edificado foi efetuada na totalidade do monumento, tendo como objetivos a recolha e sistematização da informação técnica relacionada com a construção e evolução do edifício, ao nível das suas diferentes fases de ocupação e remodelação do espaço, assim como das diferentes técnicas construtivas utilizadas.

O acompanhamento arqueológico foi efetuado enquanto decorreram ações com afetação do subsolo ou de partes edificadas do conjunto arquitetónico, com o objetivo de se proceder à identificação e caracterização de eventuais vestígios ou contextos arqueológicos que pudessem ocorrer no decurso deste tipo de ações.

Os trabalhos possibilitaram observar a dinâmica da evolução deste convento, desde a sua construção nos finais do século XVI até à instalação no local de um quartel já no século XIX. A análise da estratigrafia obtida na escavação das diversas sondagens, o acompanhamento arqueológico e a arqueologia parietal contribuíram para um melhor entendimento do processo construtivo deste monumento.

 

2014

A ERA-Arqueologia levou a cabo o processo de Conservação e Restauro de elementos de pintura mural e cantarias no Convento de S. Agostinho, em Leiria, tendo a intervenção sido realizada, entre Janeiro e Maio de 2014, para a empresa Soteol.

Os elementos de cantaria que foram intervencionados fazem parte da arquitetura do convento e dizem respeito a arcos (claustro), colunas, vãos de portas e janelas, bancos, caleiras e contrafortes. Relativamente aos elementos de pintura mural, estes revestem a abobada de dois compartimentos, nomeadamente, Sala do Capítulo e respetiva antecâmara e Sala da Reserva. A Sala da Reserva encontrava-se em processo de reforço estrutural, tendo os trabalhos de conservação e restauro sido realizados previamente nas áreas que não ameaçavam ruir.

A intervenção permitiu um desenvolvimento conservativo e preventivo em função do conhecimento completo das peças abordadas pertencentes ao século XVII.

Aconselhou-se a implementação de algumas medidas preventivas para uma melhor conservação da pintura existente e todos os outros elementos que compõem o interior das salas, nomeadamente a aplicação de filtros UV nas janelas presentes. Sublinhou-se a necessidade de cuidados constantes relativamente à limpeza do espaço, em particular a limpeza das superfícies pictóricas apenas com panos secos e sem o recurso a qualquer tipo de solventes.

O culminar da intervenção de conservação e restauro teve por fim a valorização e o reaver da importância, da beleza artística e histórica de uma pintura mural que durante muitos anos esteve coberta e desconhecida. Com valor histórico e artístico, deverá sempre ser intervencionada e conservada por entidades qualificadas e competentes nesta matéria.