Rua Ivens, n.º 18 a 28, e Rua Capelo, n.º 2 a 4A, Lisboa

Os serviços arqueológicos realizados no âmbito do empreendimento de Reabilitação do Edifício Ivens Arte (n.º 18 a 28 da Rua Ivens e n.º 2 a 4A da Rua Capelo, Lisboa) foram promovidos pela HCI/Ramos Catarino e decorreram entre 17 de agosto e 28 de novembro de 2017.

No decorrer da obra surgiram exclusivamente realidades associadas ao edifício atual (com especial destaque para a Sala 2) e a reformulações recentes do seu interior. As fundações descobertas, aliadas às características do edifício em si e a elementos observados após as picagens da parede W, sugeriram fortemente que a Sala 3 não estaria integrada propriamente no edifício original (sendo posterior).

Este acompanhamento arqueológico permitiu corroborar o sugerido pelas intervenções de diagnóstico que o precederam (Ferreira, 2009; Simões, 2015). Ambas as intervenções não encontraram vestígio algum que pudesse ser anterior a 1755, uma observação que se repete neste acompanhamento. Ora, esta constatação vai contra o esperado para um espaço com uma diacronia de ocupação claramente mais longa, e bem atestada, por exemplo, nas plantas de G. Braunio e de Nunes Tinoco, ambas anteriores ao terramoto.

Tendo em conta que a área alvo de acompanhamento é significativamente maior do que a área diagnosticada, deve-se, portanto, considerar significativamente reforçada a tese de que as ações de limpeza e nivelamento do período imediatamente pós-terramoto teriam resultado na destruição de todos os vestígios anteriores à hecatombe de 1755.

Face ao exposto, consideraram-se satisfeitos os objetivos presentes no Plano de Trabalhos da intervenção e confirmadas as observações feitas na sequência das sondagens de diagnóstico prévio.