Rua da Esperança, n.º 41, Lisboa

No âmbito da empreitada de reabilitação do imóvel sito no n.º 41 da Rua da Esperança, em Lisboa, estes labores arqueológicos foram levados a cabo nos dias 23 e 24 de Outubro de 2017.

O alvará do imóvel não previa nem deliberava a necessidade de trabalhos arqueológicos, apesar de a área intervencionada se localizar na frente ribeirinha de Santos, considerada área de importância arqueológica Nível III, segundo o PDM (2012). Contudo, a constatação da presença de uma estrutura em alvenaria, localizada no logradouro no andamento da obra, conduziu o promotor do empreendimento a interromper a empreitada e solicitar a intervenção da ERA.

O edifício n.º 41 da Rua da Esperança integra um conjunto de construções residenciais desenvolvidas na centúria de oitocentos, sendo a fachada azulejar um dos pontos que caracteriza este tipo de arquitetura. A maioria dos materiais recolhidos encaixa-se no horizonte cronológico dos séculos XIX-XX, encontrando-se presentes, essencialmente, as cerâmicas de mesa.

As ações arqueológicas realizadas no local permitiram-nos, acima de tudo, apurar importantes informações do ponto de vista patrimonial, a partir da constatação das alterações no traçado habitacional do edificado, na transição dos finais do século XIX para os inícios do século XX, i.e., muretes, sapatas e caneiro pombalino na área do logradouro e lajeado no interior do edifício.

Tais remodelações integram um contexto mais geral de alterações urbanas, no qual o Convento, a Igreja e a Cerca da Esperança foram em parte demolidos para dar lugar a uma nova ligação entre o Palácio das Cortes e a zona ribeirinha de Santos e da Avenida 24 de Julho (atual Rua de D. Carlos I) e para a urbanização de novas áreas.

Por fim, reforçámos a importância do acompanhamento arqueológico em toda e qualquer intervenção que implicasse remoções e/ou remeximentos no subsolo.