Largo da Fonte da Vila, 6, Castelo de Vide

Os trabalhos arqueológicos integrados no projeto de reabilitação do imóvel sito no Largo da Fonte da Vila, 6, em Castelo de Vide, decorreram entre os dias 13 e 21 de Dezembro de 2017. O edifício em análise não se encontra classificado, no entanto, localiza-se nas proximidades da Fonte da Vila (IIP), classificado como Imóvel de Interesse Público, ZEP (Zona Especial de Protecção). Situa-se ainda perto de um imóvel de Interesse Municipal, a casa na Rua Nova, 20-22.

Considerando esta localização, numa zona de elevada sensibilidade arqueológica, numa das áreas mais antigas e intensamente ocupadas da vila de Castelo de Vide, estes trabalhos foram realizados numa perspectiva de diagnóstico arqueológico prévio. Contemplaram a realização de 6 sondagens arqueológicas, numa área total de 22 m2, a implantar no local de acordo com a área e cotas de afetação prevista, nomeadamente nas áreas afetas à futura construção da piscina, espelho de água, cozinha e elevador.

Estas sondagens permitiram identificar algumas realidades arqueológicas que se enquadram, cronologicamente, em ocupações do período moderno e contemporâneo deste espaço urbano. Observaram-se fundamentalmente dois grandes momentos cronológicos, correspondendo ao uso contemporâneo do edifício a reabilitar (século XIX/XX), e a uma provável ocupação mais antiga do mesmo (século XVII/XVIII). Não se identificaram contextos ou materiais arqueológicos com cronologias anteriores às mencionadas.

Perante a presença destas realidades arqueológicas, foram realizadas algumas alterações no projeto inicial, de forma a compatibilizar a sua execução com a preservação destas estruturas in situ. Assim, o novo projeto de reabilitação deste imóvel apresentou uma significativa diminuição das afetações de subsolo, deixando de incluir a construção da piscina e a instalação do elevador, assim como apresentando uma nova configuração para o logradouro.

De acordo com este novo projeto, as mencionadas realidades arqueológicas não seriam afetadas, sendo possível a sua preservação no local. As mesmas deveriam ser protegidas com geotêxtil e novamente aterradas.

Considerou-se, assim, que os trabalhos de desenvolvimento do projeto deveriam prosseguir com acompanhamento arqueológico, sistemático e permanente, de qualquer movimentação de subsolo (i.e. levantamento de pavimentos, desmonte de paredes, revolvimento de terras, desaterros ou outras ações que pudessem ter afetação direta do subsolo ou de elementos edificados), realizada por via mecânica ou manual.

A identificação de qualquer contexto arqueológico preservado, ou a necessidade de afetação das realidades identificadas, implicaria uma alteração desta metodologia, prevendo-se a sua escavação arqueológica.