Edifício n.º 1 a 13 da Rua Ivens, Lisboa

A ERA-Arqueologia realizou sondagens geotécnicas no edifício n.º 1 a 13 da Rua Ivens, em Lisboa, de modo a poder ser diagnosticada a presença ou ausência de vestígios arqueológicos de forma expedita, visto este encontrar-se circunscrito na zona de protecção do Convento de S. Francisco da Cidade, classificado como imóvel de interesse público e em Zona 1 do PDM.

O objectivo proposto foi alcançado, visto terem sido detectadas estruturas, algumas podendo ser pavimentos, em 17 das 23 sondagens geotécnicas realizadas na cave e no rés-do-chão do edifício.

Nos depósitos que cobriam as estruturas foram exumados materiais arqueológicos que lhes indicaram uma cronologia da Idade Moderna ou anterior, facto não surpreendente pelas fontes e monografias existentes de edifícios desse período. No entanto, desconheceu-se a sua contextualização no espaço (entulhos ou depósitos de ocupação), não sendo possível, por exemplo, destinguir os entulhos dos depósitos de ocupação relacionados com as várias estruturas.

Os trabalhos também incidiram na limpeza e registo dos cortes do poço que está no rés-do-chão do edifício, no qual foram identificadas duas paredes de alvenaria que constituem os alicerces do edifício, bem como dois níveis de pavimento.

 

2.ª CAMPANHA

As sondagens de diagnóstico arqueológico desenvolvidas pela ERA-Arqueologia no edifício nº 1 a 13 da Rua Ivens, em Lisboa, decorreram na sequência de anteriores trabalhos com sondagens de trado a fim de avaliar o potencial interesse arqueológico do local.

A Rua Ivens foi construída na freguesia dos Mártires de acordo com o plano de urbanização de Eugénio dos Santos, após o terramoto de 1755. No entanto, antes de ser designada com o nome de Ivens, foi a Rua de S. Francisco da Cidade, visto situar-se nas proximidades da área do antigo Convento de S. Francisco.

A necessidade de aferir a existência de contextos arqueológicos proveio da intervenção da empresa Companhia de Gestão Imobiliária do Chiado, Lda, que iria afectar o subsolo do referido edifício, circunscrito na zona de protecção do Convento de S. Francisco da Cidade, classificado como imóvel de interesse público e em zona 1 do PDM.

Os trabalhos consistiram na abertura de três sondagens, onde foi possível identificar e registar uma série de realidades na sequência do que tinha sido proposto pelos anteriores trabalhos com trado. Foram recolhidos alguns fragmentos correspondentes a diversas formas com um padrão decorativo comum, datado da segunda metade do século XVII/primeira metade do século XVIII.

A ocupação deste espaço pode ter começado na segunda metade do século XVII, e prolongou-se seguramente desde o século XVIII até ao século XX. A falta de condições de segurança para avançar em profundidade não permitiu a escavação de alguns contextos, assumindo-se portanto que os contextos até então identificados poderiam não ser os mais antigos representados no local.