Castelo das Juntas - Bloco 9

No âmbito do Plano de Minimização de Impactes sobre o Património Arqueológico na área do regolfo de Alqueva, foi criado um bloco (Bloco 9) destinado à investigação da Ocupação Proto-Histórica na Margem Esquerda do Guadiana.

Os trabalhos arqueológicos realizados no sítio do Castelo das Juntas confirmaram a existência de um povoado fortificado de médias dimensões, ocupado durante o último terço do primeiro milénio AC. No âmbito dos primeiros trabalhos de prospecções arqueológicas na área do regolfo da Barragem do Alqueva, Carlos Tavares da Silva localizou o Castelo das Juntas e anotou a existência de dois torreões e de materiais arqueológicos do período republicano (Silva, 1986). Como iria ser afectado pelo regolfo do Alqueva, o sítio das Juntas acabou por ser enquadrado no Estudo de Impacte Ambiental do Empreendimento do Alqueva (EDIA, 1996) e classificado como povoado da Idade do Ferro.

Os trabalhos arqueológicos realizados pela equipa da ERA decorreram em quatro sondagens. O faseamento dos sectores intervencionados baseia-se essencialmente na leitura das relações estratigráficas das estruturas arquitectónicas e na interpretação da disposição espacial dos edifícios, dado que a ausência de depósitos arqueológicos, com vestígios materiais, associados às fases de ocupação mais antigas, condiciona a periodização da ocupação deste povoado. Quanto à cultura material que caracteriza este sítio é maioritariamente de cariz indígena, como testemunham os recipientes cerâmicos comum e o graffiti encontrado num dos contentores, contudo existe uma pequena percentagem de materiais relacionados já com o mundo romano (cerca de 6% do conjunto total), como a cerâmica campaniense, as moedas, as lucernas ou os elementos de funda encontrados. Este sítio integra-se na última fase das chamadas fortificações indígenas, que está intimamente ligada às turbulências que precedem e acompanham a conquista romana.