Museu de São Roque, Lisboa

Os trabalhos de escavação e acompanhamento arqueológicos executados, em 2007, no Museu de São Roque, em Lisboa, inseriram-se no âmbito da minimização de impactes resultantes das obras de remodelação deste espaço. Realizaram-se 9 sondagens, com uma área total de cerca de 54 m².

Nas sondagens realizadas na área do pátio (Sondagens 1, 2, 3, 4, 5 e 9) não se registaram contextos arqueológicos relacionados com a necrópole, correspondendo as realidades identificadas a depósitos de aterro/entulho ou a infraestruturas. Os referidos contextos identificaram-se nas sondagens 6, 7 e 8, onde se verificou uma ocupação muito intensiva do espaço funerário. As realidades intervencionadas referiram-se essencialmente a enterramentos (71) e respectivas sepulturas (nos casos em que foi possível identificar).

Enterramentos.

As estruturas positivas registadas respeitaram a paredes que foram interpretadas como pertencendo à casa Professa. Foi possível observar que as inumações se efectuaram num momento anterior à construção dessas estruturas, o que levou a colocar a hipótese deste espaço funerário se relacionar com a Ermida de São Roque, templo anterior à igreja jesuíta.

Alguns autores, baseados nas fontes históricas, referem que este cemitério teria sido construído para as vítimas dos surtos de peste que assolaram Lisboa no século XVI, no entanto, os dados arqueológicos disponíveis não permitiram confirmar esta hipótese.