Praça D. Pedro IV, 1-3, e Rua Augusta, 285-295, Lisboa

As sondagens de diagnóstico realizadas, entre 6 a 19 de Agosto de 2008, nos edifícios 1 a 3 da Praça D. Pedro IV e 285 a 295 da Rua Augusta (edifício da Benetton), em Lisboa, enquadraram-se no âmbito de medidas de minimização de impactes sobre o património arqueológico decorrentes da empreitada de reabilitação/construção do imóvel.

Foram realizadas 4 sondagens arqueológicas no interior destes dois prédios, duas nos números 1 a 3 (Sondagens 1 e 4) e as restantes nos números 258 a 295 (Sondagens 2 e 3), verificando-se a presença de estruturas pré-pombalinas. Referenciadas nas plantas da cidade de Lisboa anteriores a 1755, estas revelam o traçado urbano original desta zona da cidade antes da reformulação da malha urbana após o sismo em Novembro desse ano.

A sobreposição, nas plantas da cidade de Lisboa, da localização das estruturas identificadas nas sondagens 1 e 2, anteriores à reestruturação da rede urbana por parte do Marquês de Pombal, coincide precisamente com as paredes Este do edifício anteriormente localizado na antiga Rua dos Escudeiros, que fazia esquina com a Praça do Rossio.

Em relação às estruturas identificadas nas sondagens 3 e 4, afirmou-se que a calçada UE 3006 corresponderia ao arruamento existente entre este prédio e aquele referenciado nos mapas anteriores a 1755, na antiga Rua dos Odreiros, tal como as estruturas identificadas na sondagem 4 corresponderiam aos limites Oeste do edifício localizado na mesma rua.

Dada a relevância das estruturas detectadas durante esta intervenção, salientou-se a necessidade de realização de escavação arqueológica manual prévia à abertura de sapatas ou outras valas para colocação de infraestruturas no âmbito da empreitada, no sentido de minimizar os impactes decorrentes das obras de remodelação.

 

2.ª INTERVENÇÃO

Levados a cabo entre 23 de Março e 6 de Abril de 2009, estes trabalhos inseriram-se nas medidas de minimização de impactes face à afectação prevista pela implantação de sapatas, projectadas em virtude da reabilitação deste edifício.

Os resultados do diagnóstico arqueológico demonstraram a relevância patrimonial e científica dos contextos arqueológicos existentes nas áreas a afectar pelo projecto. Dada a relevância das estruturas identificadas, elaborou-se um planeamento e dimensionamento das intervenções arqueológicas complementares.

Neste sentido, foram realizadas 9 sondagens arqueológicas no interior do imóvel (Sondagens 1 a 9). A escavação manual das sondagens evidenciou a existência das estruturas pré-pombalinas, prévias à edificação actual, assim como troços da antiga calçada de rua, também coincidente com o traçado urbano anterior ao terramoto de 1755, e um poço contemporâneo ao edifício pombalino.

 

3.ª INTERVENÇÃO

A intervenção de acompanhamento arqueológico incidiu sobre os trabalhos de rebaixamento de todo o pavimento para construção de um novo ensoleiramento, permitindo observar realidades associadas às identificadas durante o diagnóstico arqueológico prévio.

Destacou-se a identificação de uma grande área de calçada e alguns muros delimitando compartimentos para os quais se apontou uma cronologia anterior à reformulação urbana, ocorrida após o sismo de 1755, dando origem à actual Rua Augusta e à edificação deste edifício.

A cartografia pré-pombalina da cidade de Lisboa documenta a presença destas estruturas desde o século XVI, nomeadamente nas obras de Bráunio, possibilitando relacioná-las com os antigos edifícios situados entre a Rua dos Escudeiros e a Rua dos Odreiros, que faziam esquina com a Praça do Rossio.