Linha Batalha - Lavos, 400 kV, sítio de Mata da Curvachia

A intervenção arqueológica no AP 29, no sítio de Mata da Curvachia, situado no lugar de Curvachia, freguesia de Pousos, concelho de Leiria, surgiu na sequência do acompanhamento arqueológico da empreitada da Linha de Batalha - Lavos, enquadrando-se numa perspectiva de minimização de impactes face à construção do referido apoio. Os trabalhos decorreram nos dias 16 e 17 de Março de 2010.

A fraca visibilidade do terreno devida ao denso coberto vegetal, assim como a identificação (na fase de RECAPE) de contextos arqueológicos relacionados com a Pré-história antiga na área de implantação do poste 28 - A e a contínua observação de materiais arqueológicos de indústria lítica numa larga extensão do caminho percorrido entre o poste 28A, 29 e 30, conduziram a que se propusesse ao IGESPAR a realização de trabalhos adicionais, com vista a uma melhor caracterização dos vestígios (líticos, Pré-História Antiga) ali identificados à superfície.

Dada a importância patrimonial dos achados referidos, o plano de trabalhos preconizou a realização de uma sondagem arqueológica manual de diagnóstico, abrangendo uma área de 2 m2, de acordo com o solicitado pelo IGESPAR, tendo a escavação decorrido até ao aparecimento de contextos arqueologicamente estéreis.

A intervenção não forneceu dados relevantes que permitissem definir um quadro cronológico passível de enquadramento na forte ocupação humana na pré-história da região onde o sítio se encontra inserido. A presença de materiais arqueológicos na área intervencionada, embora descontextualizados, sugeriu uma ocupação humana nas proximidades desta.

Assim, nos depósitos superficiais, apesar de existirem artefactos arqueológicos passíveis de serem inseridos na pré-história antiga, a formação sedimentar pareceu estar relacionada com o revolvimento de sedimentos ou com o arrastamento, por exemplo, conduzido pela água da chuva, sendo que foi possível verificar as enormes fendas em depósitos de areia provocados pela escorrência de água da chuva e consequente transporte de materiais ao longo do caminho.

Apesar de não terem sido identificados quer concentrações de materiais com significado arqueológico, quer paleossolos antropizados, propôs-se como medida de minimização genérica o acompanhamento arqueológico de quaisquer trabalhos de movimentações de terras que pudessem vir a ocorrer no ãmbito da construção deste apoio. Face aos resultados obtidos, considerou-se que a área de implantação do AP 29 estava liberta para a continuação da empreitada.