Rua Afonso de Albuquerque, 13-23, Peniche

As sondagens arqueológicas e subsequente acompanhamento arqueológico realizados no decurso de um projecto de edificação na Rua Afonso de Albuquerque, 13-23, Peniche, decorreram entre 28 de Maio e 24 de Julho de 2012. A intervenção resultou de este local se encontrar na Zona Especial de Protecção da Fortaleza de Peniche, classificada como monumento nacional, e na Zona de Protecção da Igreja de S. Pedro, classificada como Imóvel de Interesse Público.

No canto Sudeste foram identificadas estruturas encostadas por depósitos, contendo cerâmicas datáveis dos séculos XVI e XVII, nomeadamente, loiça malegueira e faiança com motivos em azul. Deste modo, é provável que estes muros pertençam também a este período. Por sua vez, no canto Nordeste, foram registadas estruturas com aparelhos idênticos às anteriores, não existindo, contudo, depósitos conservados nesta área.

Relativamente à zona a Oeste, apenas se verificaram depósitos de formação natural, revolvimentos recentes e os alicerces do edifício demolido no contexto desta obra, com excepção de uma estreita faixa conservada no limite Sul, junto à parede do edifício contíguo. A identificação nesta faixa de estratos conservados e de muros com aparelho construtivo idênticos aos restantes apontou para que a ocupação dos séculos XVI e XVII se estendesse também para Oeste. Porém, a sua localização a uma cota superior levou a que fossem destruídos por acções de terraplanagem recentes e durante a construção do edifício actual.

Em suma, os dados obtidos apontaram para uma intensa ocupação humana durante os séculos XVI e XVII, confirmando os registos históricos que referem o crescimento económico de Peniche a partir do século XV, assim como os mapas que revelam a expansão dos limites da vila durante os séculos XVI e XVII. Assumiu-se mais difícil caracterizar a função destes compartimentos; porém, devido à presença abundante de cerâmica de cozinha e mesa, seriam espaços predominantemente habitacionais.

A possível ocupação pré-histórica permaneceu sem esclarecimento, uma vez que não foram detectados depósitos nem estruturas conservadas deste período, apenas material disperso e descontextualizado, podendo indicar a presença de um sítio nas proximidades ou destruído anteriormente. Este aspecto revestiu-se de particular importância dado que, com excepção dos vestígios da gruta da Furninha, são escassos os vestígios pré-históricos conhecidos na Península de Peniche.