Projecto de Adaptação Parcial do Extinto Tribunal da Boa Hora, Lisboa

Os labores arqueológicos (sondagens e acompanhamento) realizados no âmbito da implementação do Projecto de Adaptação Parcial do Extinto Tribunal da Boa Hora decorreram entre os meses de Setembro de 2015 e Outubro de 2016. O Largo da Boa-Hora localiza-se em Zona de Nível 1 do PDM de Lisboa e insere-se na área designada por “Baixa Pombalina”, o que implicava a afectação de áreas com potencial arqueológico por parte das obras de adaptação do edifício.

A intervenção assentou numa abordagem arqueológica integrada que contemplou sondagens de diagnóstico arqueológico, realizadas de acordo com as áreas e cotas de afectação de obra; sondagens parietais, nas áreas onde o projecto previa a abertura de vãos; e acompanhamento arqueológico dos trabalhos de implementação do referido projecto.

No piso 0, as sondagens e o acompanhamento permitiram verificar que este edifício se encontra construído sobre o substrato geológico local, apresentando um subsolo muito afectado por obras decorridas em período contemporâneo, fruto do seu uso como tribunal. Destacou-se aqui a sala de entrada, na ala Norte do edifício, onde se identificou um compartimento subterrâneo dividido em três nichos delimitados por arcos de volta perfeita. Ponderou-se a sua construção num momento cronológico pós-terramoto, na 2ª metade do século XVIII, possivelmente associada à reconstrução do Convento da Boa Hora.

Neste andar, saliente-se ainda a identificação de espólio osteológico humano possivelmente associado à utilização desta edificação como antigo Convento da Boa Hora, fundado na primeira metade do século XVII, e sua área de necrópole. Tratava-se de um vasto conjunto de material osteológico descontextualizado, correspondendo a deposições secundárias, que deverão ter ocorrido em meados do século XX, no âmbito de obras ocorridas no Tribunal da Boa Hora.

No piso 1, o acompanhamento levou a concluir que a parte Norte do edifício assenta sobre o substrato geológico local, enquanto a zona Sul assenta sobre um grande nível de aterro contemporâneo, provavelmente associado à construção desta ala mais a Norte do edifício durante o século XIX ou suas remodelações no século XX.

No piso 2, os trabalhos de escavação arqueológica e acompanhamento incidiram genericamente sobre os dois logradouros do edifício. Neste piso, logrou-se identificar um conjunto de contextos arqueológicos preservados, constituídos por algumas estruturas e níveis de pavimento em calçada, que foram integralmente intervencionados na área de afectação prevista em projecto.

Realizadas nas áreas onde o projecto previa a abertura de novos vãos, e procurando registar a evolução construtiva do edifício, as sondagens parietais permitiram observar que a grande maioria das paredes a demolir, total ou parcialmente, correspondiam essencialmente a construções contemporâneas, fruto destas remodelações, com particular destaque para as decorridas em meados do século XX, com um importante projecto de alterações e ampliação do Tribunal da Boa Hora.