Rua Presidente Arriaga, 19-27, Lisboa

O acompanhamento arqueológico referente ao projecto executado na Rua Presidente Arriaga decorreu entre 15 de Dezembro de 2016 e 3 de Janeiro de 2017. O imóvel encontra-se integrado em zona de nível III do PDM, assim como na ZEP conjunta do Museu Nacional de Arte Antiga/Igreja de São Francisco de Paula/Edifício do Extinto Convento das Trinas do Mocambo/Chafariz da Esperança.

Encontrando-se a área em questão escavada até aos níveis geológicos à data de início da intervenção arqueológica, não foi possível afirmar com objectividade a eventual existência de realidades estruturais e/ou contextos antrópicos de relevância arqueológica aquando do início dos trabalhos mecânicos.

A análise da planimetria existente permitiu-nos concluir que, em finais do século XVIII (data de criação da Planta de Micont), esta área encontrava-se na linha de marés da praia, aparecendo num momento posterior referida como uma zona de armazéns na planimetria de Duarte Fava, possivelmente associados a atividades relacionadas com o mar e o comércio.

Já no século XIX, segundo a planta de Filipe Folque (1856-58), identifica-se nesta zona um conjunto de edificações que voltaram a ser registadas na planta de Canalizações da Câmara de Lisboa (1871) e que, de acordo com os levantamentos de Silva Pinto (1911), da Câmara de Lisboa de 1971 e posteriores, se manteriam até um momento antecedente ao início desta empreitada.

Os factos de o substrato se encontrar a uma cota alta e de o edificado ter sobrevivido do século XIX até os nossos dias podem ter contribuído para a não existência de estruturas além das referidas na planta de Folque. O corte Sul (único preservado) pareceu comprovar a não existência de contextos preservados e/ou realidades estruturais. Em suma, tendo em conta os indícios existentes, colocou-se a hipótese (com alguma reserva) da não existência de realidades de cariz antrópico anteriores à Época Moderna.