Sistema Interceptor de Beja, Quinta da Abóbada, Horta de Todos

No âmbito do empreendimento do Sistema Interceptor de Beja, a ERA-Arqueologia realizou sondagens arqueológicas de diagnóstico nos sítios Quinta da Abóbada e Horta de Todos/Montinho do Tanque (São João Baptista, Beja). Estes trabalhos foram adjudicados pelas Águas Públicas do Alentejo, S.A. e decorreram, em três fases diferentes, entre os dias 29 de setembro de 2014 e 9 de Março de 2015.

Na Quinta da Abóbada, foram realizadas 15 sondagens de diagnóstico, distribuídas entre os sectores A, B e C. Estes trabalhos revelaram uma longa diacronia daquele espaço, iniciada ainda na Pré-História. A evidência mais antiga documentada trata-se de um hipogeu, com uma inumação dupla primária, do Neolítico Final, no Sector A, seguindo-se o período Calcolítico, ao qual se atribuíram as estruturas intervencionadas no Sector B – hipogeu, fossa e valado.

Embora haja notícias de estruturas de cronologia romana na área, durante estes trabalhos não foram identificados vestígios deste período. Algumas evidências apontam para um período mais tardio, entre os séculos III – VIII, incluindo-se uma sepultura nesta fase.

Ficou também documentado um silo, cujos depósitos de amortização revelaram um conjunto artefactual atribuído ao período medieval-islâmico, entre os séculos XII/XIII. Curioso ter-se identificado que nestes depósitos de enchimento fora aberta uma sepultura, cuja inumação revelou um ritual islâmico, e que pouco mais tarde seria de novo reaberta e o seu conteúdo profanado. A era moderna também ficou documentada num derrube, sendo ainda intervencionadas cinco estruturas negativas, quatro do tipo buraco de árvores e uma fossa, todas de período contemporâneo.

No sítio de Horta de Todos/Montinho do Tanque, foram realizadas duas sondagens de diagnóstico, uma localizada no limite E de uma estrutura negativa aí identificada, e outra na área de um conjunto estruturado. Estas evidências revelaram uma cronologia contemporânea, no caso da última sondagem referida, embora fossem exumados também materiais de época romana, que comprova a existência de uma ocupação próxima na área deste período (Lopes, 2003:17).

Estava prevista ainda a realização de uma sondagem de diagnóstico no sítio arqueológico de Vale de Aguilhão, trabalho que não foi realizado até à desmobilização da equipa de arqueologia. Após a realização destes trabalhos, considerou-se que o diagnóstico se encontrava concluído e que a área poderia ser desbloqueada para a progressão da obra com acompanhamento arqueológico.