Sítio da Lezíria, Castro Marim

A realização de uma sondagem arqueológica no sítio da Lezíria, em Castro Marim, teve como objectivo aferir os impactes negativos da abertura de uma vala para implantação de um estaleiro, no âmbito da Empreitada G das Águas do Algarve, acção essa que não teve o respectivo acompanhamento arqueológico.

Refira-se a presença nesta área da Picris willkommii, planta classificada no Plano de Ordenamento da RNSCMVRSA (Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António) como espécie de maior relevância nesta Área Protegida. O Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB) impôs assim que a escavação arqueológica se realizasse numa área de apenas 4m2, a incidir exclusivamente na área já afectada, sem possibilidade de qualquer alargamento.

Na sondagem realizada, com área preconizada no parecer do ICNB, identificaram-se duas estruturas negativas, tendo sido escavada apenas uma delas (Fossa 1). A Fossa 2 excedia os limites da área de escavação, razão pelo qual não foi intervencionada, não sendo possível efectuar a sua caracterização. A Fossa 1 enquadrou-se cronologicamente em Época Islâmica, datando a sua última utilização, enquanto local de despejo de lixos domésticos, do período almóada. Não foi, contudo, possível atribuir uma cronologia à sua construção.

Tendo em conta os resultados obtidos, pôde supor-se que a área afectada durante a obra, sem acompanhamento arqueológico, teria incidido em contextos arqueológicos para além da fossa escavada, no entanto, a ausência de dados inviabilizou a confirmação desta hipótese. Após a conclusão dos trabalhos, o sítio foi aterrado, não tendo sido alvo de acompanhamento arqueológico.