Largo Trindade Coelho (diagnóstico arqueológico)

As acções arqueológicas executadas, em 2008, no Largo Trindade Coelho, na Freguesia da Encarnação, em Lisboa, enquadraram-se numa perspectiva de minimização do impacte sobre o património decorrente da realização de uma vala para colocação de um sistema de saneamento, em zona de Nível 2 segundo o PDM.

Esta intervenção foi pautada, numa primeira fase, pelo acompanhamento arqueológico da abertura de vala. Dada a detecção de contextos arqueológicos – no decurso de remoção do pavimento e respectiva preparação –, e na sequência de reunião no local com o IGESPAR-IP e demais entidades envolvidas no empreendimento, procedeu-se a trabalhos de escavação integral (local de detecção de restos osteológicos humanos), limpeza e registo estratigráfico/sondagem (zonas de detecção de vestígios arquitectónicos).

Na extremidade norte da vala, junto ao Museu de S. Roque, foram identificados um ossário e um enterramento, muito provavelmente associados à necrópole identificada no decorrer dos trabalhos arqueológicos realizados no interior deste Museu (Filipe, 2007, Coelho e Granja, 2007). O ossário foi apenas parcialmente removido na zona a afectar pela colocação da tubagem; já o enterramento, por se encontrar abaixo da cota de afectação da vala, não foi definido, tendo sido coberto, como medida preventiva, com geotextil e areia, dando-se assim continuidade aos trabalhos.

Foi ainda identificada uma série de estruturas associadas à ocupação deste espaço anteriores ao planeamento urbanístico da zona que deu origem ao actual Largo Trindade Coelho. Estas poderiam corresponder ao palácio de Nisa, propriedade do Conde da Vidigueira, cujo pátio se estenderia até ao adro da Igreja de S. Roque, no decorrer do séc. XVII. As estruturas foram desmontadas manualmente numa fase posterior ao diagnóstico arqueológico, e os trabalhos de abertura desta vala puderam assim continuar com o respectivo acompanhamento arqueológico.