Castelo de Terena, Alandroal
A campanha de prospeção geofísica realizada em 2025 no Castelo de Terena revelou um subsolo com elevada sensibilidade arqueológica, evidenciando estruturas enterradas a profundidades entre -20 cm e -200 cm. Essa estratigrafia complexa atesta uma ocupação longa e faseada do espaço intramuros, coerente com as sucessivas reocupações históricas da fortificação.
Os dados obtidos por georradar apresentam correspondência direta com a planta de Duarte de Armas (1509), permitindo identificar diversos elementos representados na fonte histórica, como o caminho interior, a praça central e compartimentos adossados à muralha oeste. Contudo, junto à Porta do Sol, níveis espessos de aterro, resultantes de adaptações agrícolas no século XX, comprometeram a leitura de algumas estruturas, nomeadamente da cisterna referida nas fontes.
Entre as descobertas, destaca-se uma grande estrutura localizada a leste, com paredes espessas e compartimentação regular, que poderá corresponder à Torre de Menagem edificada entre 1509 e 1517, durante as obras de Martim Afonso da Silveira. A sua morfologia e robustez construtiva reforçam a sua interpretação como elemento dominante na organização interna da fortificação.
A geologia local, marcada por xistos e filitos com afloramentos superficiais, condicionou a implantação das estruturas e explica a reduzida densidade de anomalias na zona central, provavelmente um espaço aberto. Os resultados validam as fontes históricas, identificam áreas prioritárias para escavações futuras e fornecem subsídios relevantes para estratégias de conservação e valorização do monumento, justificando a continuidade da investigação multidisciplinar no sítio.